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TongLen é uma prática de meditação feita em conjunto com a própria respiração, e tem relação com os pais, amigos e inimigos, com todos os seres reunidos em torno da pessoa que pratica. Quando a pessoa expira, ela imagina que, com o ar que sai, vai junto toda a felicidade e as causas da felicidade, todo o bom carma que possa ter, tudo sob a forma de raios brancos de luz. Estes raios de luz chegam a todos os seres e os tocam, para que eles possam alcançar a felicidade temporária e as causas para a felicidade absoluta do estado de Buda.
Na inspiração, a pessoa imagina que todo o sofrimento, as causas do sofrimento e o mau carma dos seres são atraídos para si com o ar que entra, sob a forma de raios negros de luz. Estes raios negros entram e são absorvidos, e o praticante imagina que acolheu, que recebeu o sofrimento de todos os outros seres. Esta meditação de “enviar e receber” envolve, portanto, a doação da felicidade e o acolhimento do sofrimento combinados com a própria respiração.
O que se realiza com esta meditação?
Geralmente tanto a felicidade como o sofrimento ocorrem como resultado do carma, das ações boas e más praticadas. Se alguém faz uma boa ação, ela naturalmente terá como resultado a felicidade. Nada poderá impedir que a pessoa tenha como resultado a felicidade. Da mesma forma, o sofrimento ocorre como resultado de más ações. Se alguém faz uma má ação, o único resultado obtido é o sofrimento, que não poderá ser evitado.
Ao fazer essa meditação, a pessoa muda a atitude de ver a si mesma como mais importante que os outros seres; e chegará a considerar os outros mais importantes que si mesma. A atitude habitual das pessoas é pensar que não importa se outros seres não estão felizes, não importa se outros estão sofrendo, mas é importante que elas mesmas estejam felizes e livres de qualquer sofrimento. Normalmente as pessoas têm consideração por si mesmas, cuidam em primeiro lugar delas mesmas, vêem a si como mais importantes que os outros. Ao fazer essa prática de enviar e receber é possível mudar a atitude de tal maneira que não importará mais se a pessoa estiver infeliz ou sofrendo, mas sim que os outros estejam felizes e livres do sofrimento. Assim desenvolve-se a atitude de ser capaz de acolher, de receber o sofrimento dos outros seres.
Algumas pessoas que não conhecem bem esta prática se preocupam ao imaginar que, com ela, perderão a felicidade e sofrerão, o que as deixa muito apreensivas. Não há, no entanto, motivo para essa ansiedade porque qualquer coisa que aconteça com elas é unicamente resultado do próprio carma. Fazer esta prática não traz sofrimento.
Outras pessoas fazem a prática com enorme expectativa, com uma grande esperança. Elas pensam em um amigo doente, infeliz ou que esteja sofrendo por algum motivo, e o visualizam durante a meditação na esperança de que possam remover o sofrimento dele. Quando descobrem que não funcionou, perdem a esperança e ficam desiludidas. Isso não tem nada a ver com a prática. O ponto principal é considerar os outros seres importantes, em vez de se considerar importante. Não há, portanto, necessidade de se preocupar, de ter medo ou expectativas.
Também não é verdade que a prática não tenha resultados. No presente mais imediato, não é possível trazer felicidade ou remover sofrimento, mas, ao praticar, pouco a pouco a pessoa vai deixando de se achar mais importante que os outros. Ao contrário, a pessoa desenvolve a vontade de praticar para beneficiar outros seres, eventualmente chega a ter a habilidade de ajudar outros seres, ensiná-los, treiná-los no dharma e assim por diante. Conseqüentemente, a pessoa será capaz de dar a eles felicidade e aliviá-los do sofrimento, além de oferecer quaisquer qualidades e habilidades que se tenha alcançado. Esta é a bodhicitta relativa.
A bodhiccita absoluta é alcançada com a pacificação de conceitos e dualidade: todos os pensamentos são acalmados; o apego à dualidade abrandado; pode-se repousar em um estado de paz, de meditação. A pessoa se dissolve na vacuidade e repousa na verdadeira natureza da mente.Esta é a bodhicitta absoluta.
Tirado das Instruções Orais sobre a prática de Karma Pakshi, dadas por Thrangu Rinpoche às pessoas em retiro em Samye-Ling, em dezembro de 1993.
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