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Escola Karma Kagyü do Budismo Tibetano

 

 

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Grupo de Estudos Karma Kagyü - Sao Paulo

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BUDHA
 
Buda Shakyamuni
 
Não houve ninguém a quem se possa chamar “O” Buda, pois Buda é um estado mental que existe em todos os seres.
Todos os seres vivos são potenciais Budas.
Contudo, aquele que conhecemos por Buda, trata-se de Siddharta Gautama, assim designado depois de atingir a iluminação.
Siddharta Gautama foi um dos príncipes do clã Shakya, há época um dos reinos do Norte da actual Índia e Sul do Nepal.
Kapilavastu era a capital deste reino, que,
embora fosse rico em termos agrícolas, não era um reino completamente independente, sendo suserano do vizinho reino de Kosala.
Por volta dos séculos VI-V a.C., o reino Shakya era governado pelo rajá Shuddhodana Gautama, membro da casta guerreira. O rei era casado com sua prima Maya-devi Gautami e, apesar de quererem ter filhos, não conseguiram tê-los.
Shuddhodana, com mais de 50 anos de idade e sua mulher com 45, tinham já perdido a esperança de ter descendência.
Mas certa vez Maya sonhou com um belo elefante branco que a abençoava.
Contando este sonho, sete sábios interpretaram
esta “visão” como o prenúncio do nascimento de um filho prodigioso: ele seria um grande rei ou imperador universal (sânsc. chakravartin) se vivesse no palácio de seu pai, ou um asceta (sânsc. bhikshu) se renunciasse ao trono.
Shuddhodana ficou ao mesmo tempo esperançoso e preocupado.
Ele não queria que seu filho fosse um asceta, mas sim um grande imperador, que pudesse solucionar os problemas do reino e aumentar o poder do seu clã.
No fim de uma gestação de 10 meses, Maya seguiu a tradição indiana e viajou para a casa de seus pais em Kapilavastu, a fim de aí ter o seu filho.
O filho de Maya nasceu perto daquela cidade, nos jardins de Lumbini, no alvorecer do 8º dia do 12º
mês lunar de 565 a.C.
Sob uma grande árvore ashoka, a rainha deu a luz à um menino que, de acordo com a tradição, saiu debaixo de seu flanco direito.
Segundo estas histórias, a criança deu sete passos na direcção de cada ponto cardeal e flores de lótus desabrocharam nos lugares pisados.
Algumas tradições dizem que ele apontou para o céu com a mão direita e para a terra com a mão
esquerda, dizendo: "Entre o céu e a terra, sou o único que é digno de veneração!" Segundo outras tradições, ele teria dito: "Sou o líder do mundo, sou o guia do mundo.
Este é o meu último nascimento." Naquele momento caiu uma chuva de néctar doce e seres divinos apareceram no céu.
Devido a estes acontecimentos, o recém-nascido recebeu o nome de Sarvarthasiddha Gautama (aquele [da família Gautama] que realiza todas as
suas metas), logo simplificado para Siddhartha Gautama (aquele [da família Gautama] que realiza suas metas). Um velho eremita chamado Asita foi vê-lo e descobriu vários sinais no menino, confirmando as previsões.
Maya faleceu uma semana após o nascimento Siddhartha. Ela foi dormir sorrindo e não despertou; acabou renascendo em Trayastrinsha, o paraíso dos trinta e três deuses.
Siddhartha passou a ser cuidado por sua tia, Prajapati Gautami, que futuramente se tornaria a primeira monja buddhista. O rei Shuddhodana deu três palácios ao príncipe: um de mármore para o verão, um de cedro para o inverno e um de ladrilhos para a época das monções.
Após vencer um torneio de artes marciais, aos 16 anos,Siddhartha casou-se com Yashodhara, filha do rajá Dandapani, e recebeu o belo palácio de Visharamvan.
Posteriormente, casou-se também com Gopa e Mrigaja, mas foi com Yashodhara que ele teve seu único filho, Rahula.
Com a idade de 29 anos, Siddhartha sentiu necessidade de conhecer o mundo, ou
pelo menos a sua cidade, já que nunca havia saído do palácio. Acompanhado do cocheiro Channa, o príncipe foi conhecer a cidade.
O rei Shuddhodana, tentando evitar que seu filho se deparasse com qualquer cena desagradável, mandou encenar a saída do príncipe e ordenou que fossem escondidas todas as pessoas que sofriam. Mesmo assim o príncipe deparou-se com um velho, um doente, um morto e um asceta. Muito entristecido com o que viu, Siddhartha decidiu abandonar a sua vida luxuosa.
Cavalgando no seu cavalo Chandaka, Siddhartha fugiu para as margens do rio Anoma. O cocheiro Channa não gostou da ideia e, apesar da sua insistências, não conseguiu convencer o príncipe a retornar ao palácio.

Siddhartha queria descobrir uma maneira de eliminar os sofrimentos. Como sua vida luxuosa não poderia livrá-lo da doença, velhice e morte, Siddhartha trocou a vida palaciana pela vida ascética. Como símbolo de sua renúncia, Siddhartha cortou seus longos cabelos com uma espada e passou a praticar ascetismo na floresta de Uruvela, no reino de Magadha.

Algum tempo depois, ele encontrou Alara Kalama e Udraka Ramaputra, que lhe ensinaram avançadas técnicas de meditação. Porém, eles não conseguiram satisfazer as dúvidas de Siddhartha quanto à natureza do “eu”, nem responder à
pergunta do príncipe: como extinguir o sofrimento?
Por seis anos, Siddhartha foi acompanhado por outros cinco ascetas — Ajnatakaundinya, Ashvajit, Vashpa, Mahanaman e Bhadrika —, ex-discípulos de Udraka Ramaputra.
 


 
Stupa de Bodygaya - India
Quando percebeu que o ascetismo não traria os resultados que procurava, Siddhartha abandonou este estilo de vida. Subitamente, ele
compreendeu que a vida palaciana e a vida ascética são dois extremos; o ideal é seguir um caminho intermediário, o caminho do meio (sânsc. madhyama-pratipad), o caminho do despertar.
Duas jovens, Radha e Sujata, ofereceram comida para Siddhartha se alimentar.
Os cinco ascetas pensaram que ele tinha abandonado a sua busca de Iluminação e
partiram sem ele em desacordo.
Após recuperar a saúde, Siddhartha foi para uma região conhecida como Círculo da Iluminação (sânsc. Bodh-Gaya) em Bihar, onde os iluminados do passado atingiram o despertar.
Próximo ao rio Nairanjana, Siddhartha sentou-se em postura de meditação sob a figueira bo, jurando para si mesmo que só se levantaria após atingir a iluminação.
Raios de luz começaram a sair do seu corpo e da sua cabeça, atraindo a atenção de
Mara, o demónio da ignorância.
Mara mandou as suas belíssimas filhas distraírem a
concentração de Siddhartha, mas elas não conseguiram.
Então, Mara enviou outros demónios para assustá-lo, mas eles acabaram por fugir. Por último, Mara atirou flechas, pedras e bolas de fogo, que se transformaram em pétalas e faíscas. Mara,
cheio de ódio, retirou-se e Siddhartha continuou a meditar.
Primeiro, Siddhartha lembrou-se de suas incontáveis vidas passadas; depois, ele viu
o processo de renascimento de todos os seres; finalmente, ele alcançou a verdade última de todos os fenómenos.
No 8º dia do 12º mês lunar de 527 a.C., com trinta e seis anos de idade, Siddhartha compreendeu sua própria natureza búddhica (sânsc. buddhata) e,
consequentemente, compreendeu o sofrimento, sua causa, sua extinção e o meio para extingui-lo.
Siddhartha conseguiu alcançar a iluminação (sânsc. bodhi) e passou a ser conhecido como o Iluminado, o Desperto (sânsc. Buddha), o Sábio dos Shakyas (sânsc. Shakyamuni).
Shakyamuni continuou a sua meditação por
mais 49 dias.
Nesse período Buda sentiu grande compaixão por todos os seres e decidiu ensinar o
Caminho às outras pessoas.
Shakyamuni pensou em instruir seus antigos professores (Alara Kalama e Udraka
Ramaputra) mas, com sua visão interior, percebeu que eles tinham falecido.
Então decidiu procurar os cinco ascetas que o tinham abandonado e que estavam no
Parque das Gazelas em Sarnath, Varanasi (Benares), quase a morrer de fome pelo
extremo da sua ascése.
Num primeiro momento, os ascetas não queriam conversar com o "renegado que trocou o ascetismo por uma tigela de caldo de arroz".
A partir daí, Shakyamuni passou a viajar constantemente pelo vale do Ganges, atraindo milhares de discípulos.
Ao retornar à cidade de Kapilavastu, ele deu ensinamentos a seu pai, Shuddhodana,
que se tornou monge. O rei de Magadha, Bimbisara, doou o bosque Jetavana à
Sangha (comunidade budista).
Shakyamuni expôs sua doutrina (sânsc. Dharma) principalmente nas cidades indianas de Rajagriha e Vaishali.
Os seus ensinamentos não se restringiram aos
campos religiosos e filosóficos; ele criticou o sistema de castas, o abuso de autoridade dos brâmanes e os costumes sociais, políticos e religiosos daquela
época.
Shakyamuni era conhecido não apenas pela sua grande compaixão, mas também pela sua disciplina.
Ele não aceitava a estrutura social da Índia, que
permitia a discriminação e o abuso de autoridade por parte dos brâmanes, a "casta superior".
Shakyamuni continuou a dar ensinamentos até o seu falecimento, no 15º dia do 2º mês lunar de 486 a.C., no bosque de Shala, em Kushinagara. Após as suas instruções finais, entrou num estado de profunda meditação e alcançou a Paz
(sânsc. nirvana), a Liberação Final (sânsc. parinirvana).
Pouco tempo depois, seu corpo foi cremado e suas cinzas foram divididas entre os
relicários (sânsc. stupa) de Lumbini, Magadha, Varanali, Shravasti, Kanyakubja, Rajagriha, Vaishali e Kushinagara.
Textos e tradução: Luis Agostinho
 
 
 
Leia também:
Ensinamentos do budha:
por VEN. KENCHER THRANGU RIMPOCHE
 
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